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10 de dezembro de 2010

ALQUIMIA MÍSTICA


MANDALAS são formas que representam a harmonia do cosmos e da energia divina. São círculos mágicos que servem como elemento integrador entre a realidade física e as esferas divinas, levando à reintegração do eu ao todo e do todo ao eu.


A simples contemplação de uma mandala inspira serenidade, restabelece a ordem psíquica, estimula a criatividade e abre as portas do inconsciente, fazendo emergir símbolos, arquétipos coletivos e o ser verdadeiro que está dentro de nós.

Cada uma das mandalas é criada de forma individual sendo estas únicas e exclusivas nas suas cores, nos pingentes, na energia que destas é emanada e no tipo de trabalho espiritual que com elas pode ser desenvolvido além de embelezar o ambiente.

Cada uma das cores contidas nas mandalas esta associada a uma irradiação dependendo da tradição. Cada uma das cores exerce uma influência sobre nós quando entramos em contato com elas, de forma consciente ou inconsciente, através da contemplação das mandalas.

As mandalas nos transmitem determinadas irradiações que depende da conjunção dos símbolos e das cores que ela contém. A forma de como nós as recebemos vai depender da nossa personalidade, gosto, forma e momento em que a mandala interage com nós. Com um pouco de sensibilidade é possível perceber a irradiação que a mandala emana a qual, definitivamente, é de uma forma específica para cada pessoa.

Contudo, é possível associar as cores a determinados tipos de irradiações e seus efeitos sobre o ser humano, como é mostrado a seguir.



Cada uma das cores possui uma irradiação característica que, dependendo da tradição, pode estar ligado a:

- Os Planetas da Astrologia e os Metais da Alquimia:


Os Chakras:


As Esferas da Árvore da Vida (Cabala):


Os Arcanjos:


Os Signos Zodiacais:

11 de novembro de 2010

A ALQUIMIA MÍSTICA


'Sabei que os filósofos, por previdência' - escrevia o misterioso Basílio Valentim - ' escreveram várias coisas como o fim de que os ignorantes, que apenas queriam ouro ou prata, não abusassem...'

Ora, existe uma concepção puramente mística da alquimia, segundo a qual as frases sucessivas da preparação da Pedra Filosofal, as operações 'químicas', descrevem na realidade as sucessivas purificações do ser humano na sua procurado conhecimento esclarecido.

'Nem todos os alquimistas' - escreve um dos maiores escritores da Maçonaria moderna, O. Wirth - 'se deixavam enganar pelos seus símbolos. Chumbo significava para eles vulgaridade, pesadez, falta de inteligência e Ouro precisamente o contrário. Iniciados, desinteressavam-se dos bens perecíveis, dos metais ordinários que fascinam os profanos. Referiam tudo ao homem, que é perceptível, e em quem o chumbo é realmente transmutável em ouro'.


O simbolismo alquímico não se aplica pois, à matéria, mas às operações espirituais. As imagens representam a evolução do ser interior. A matéria sobre a qual é preciso trabalhar, é o próprio homem:

'Tu és a própria matéria da Grande Obra' (Grillot de Givry) e a Pedra Filosofal designa o fim da iniciação: o homem transformado. A alquimia não é senão a purificação do ser, que tornará o homem capaz de alcançar o supremo conhecimento: o homem que, renunciando a toda a sensualidade e obedecendo cegamente à vontade de Deus, chegou a participar da ação que as inteligências celestes exercem, já possui por isso a Pedra Filosofal; jamais lhe faltará nada, todas as criaturas da Terra e todas as forças do Céu lhe estão submetidas'.

O 'Mercúrio Filosófico' é ao mesmo tempo o princípio da vida universal da Natureza e o da redenção pela ascece. A própria teoria do homunculus tem um sentido oculto: é um símbolo do nosso novo nascimento, da ressurreição espiritual do homem pela iniciação; da mesma forma que muitos organismos vivos parecem nascer de matéria em putrefação, da mesma forma o homem é capaz de se elevar da sua corrupção habitual.
(Extraído do livro: 'A Alquimia' de Serge Hutin)

5 de outubro de 2010

A ALQUIMIA DE PARACELSO


Os alquimistas velaram principalmente seus segredos por meio de símbolos e frases alegóricas, a que os profanos atribuíam as mais grotescas interpretações, quando tomadas ao pé da letra.

Como discípulo de Tritheme, Paracelso assimilou sua terminologia e em seu vocabulário chama o princípio da Sabedoria de Adrop e Azane, que correspondem a uma tradição esotérica da Pedra Filosofal, onde Azoth é o princípio criador da natureza ou força vital espiritualizada, Cherio é a quintessência de um corpo, seja ele animal ou mineral; é o seu quinto princípio ou potência, Derses é o sopro oculto da terra que ativa seu desenvolvimento.

Segundo sua interpretação a Magia é a Sabedoria; é o emprego consciente das forças espirituais que visa a obtenção de fenômenos visíveis ou tangíveis, reais ou ilusórios, é o uso do poder da vontade, do amor e da imaginação, representa a força mais poderosa do espírito humano empregada em prol do bem. Assim, o glossário de Paracelso se caracteriza pelo caráter oculto de uma terminologia, no entanto, a chave dessa linguagem misteriosa não se perdeu, foi guardada pelos cabalistas e transmitida oralmente entre os iniciados.

Defendia a teoria da transmutação dos metais em substâncias diversas, aceitas até os dias de hoje; suas investigações principais ocuparam-se das propriedades curativas dos metais conhecida atualmente como Metaloterapia.

Suas investigações culminaram na teoria das três Substâncias, onde todos os corpos estão formados por três princípios básicos, a Teoria dos Três Princípios: sustenta que cada substância ou matéria em crescimento é constituída de Sal, Enxofre e Mercúrio; a força vital consiste na união dos três princípios; existe, portanto, uma ação tríplice, sempre atuante para cada corpo: a ação da purificação por meio do sal, a da dissolução ou consumação pelo enxofre e a da eliminação pelo mercúrio. O sal é um alcalino; o enxofre, um azeite; o mercúrio, um licor (a água), mas cada uma das matérias possui sua ação separadamente das outras. Nas doenças de certa complicação, as curas mistas são indispensáveis.


Paracelso descreve as três maneiras como o sal limpa e purga o corpo diariamente pela vontade do Archeus ou a força vivificante, inerente a cada órgão. No mundo dos elementos há várias espécies de álcalis, como a cássia, que é doce; o sal-gema, que é acre; o acetado de estanho, que é azedo; a colocíntida, que é amarga. Determinados álcalis são naturais enquanto que outros são extratos; e outros ainda se acham coagulados e atuam por expulsão ou por transpiração ou por outros meios.

o Enxofre (carga energética) significa o fogo,
o Mercúrio (princípio úmido (líquido) representa a água e
o Sal(parte mais sólida representa a terra ou ainda a Volatilidade, Fluidez ou Solidez.

Cada substância ou matéria em crescimento é constituída de Sal, Enxofre e Mercúrio; a força vital consiste na união dos três princípios, uma tríplice ação; a ação da purificação por meio do Sal, dissolução e consumação pelo enxofre e a eliminação pelo Mercúrio, o qual absorve o que o Sal e o En-xofre repelem.

Ainda na maioria dos três princípios, considerava como premissa de toda atividade a parte constitutiva de todos os corpos: Alma, Corpo e Espírito, de uma matéria que é única.

Em sua obra "ARQUIDOXO MÁGICO", que trata de amuletos e talismãs, é que Paracelso expõe seus conhecimentos da imensa força do magnetismo, combinando metais sob determinadas influências planetárias com o objetivo de curar doenças. Entre os metais utiliza-dos destacam-se ouro, prata, cobre, ferro, estanho, chumbo e mercúrio, no total de sete, com sig-nos celestes e caracteres cabalísticos.

Em "AS PROFECIAS", publicadas pela primeira vez na língua alemã por volta de 1530, estavam 32 gravuras simbólicas que tinham sido encontradas no monastério de Darthauser em Nurenberg; cada gravura estava acompanhada de uma legenda escrita em um estilo obscuro e enigmático, com textos de difícil interpretação; neles estariam guardadas os acontecimentos do futuro em uma espécie de filme, porém cujo desenrolar seria independente da se-qüência cronológica.

A sua "FILOSOFIA OCULTA" possui um especial interesse, por conter opiniões sobre as artes mágicas, manifestando seu vínculo ideológico ao cristianismo, destacando o papel da fé e da imaginação; contém uma série de observações que poderiam muito bem incluir-se no que hoje chamamos Medicina Psicossomática.

Na "BOTÂNICA OCULTA" diz que para conhecermos o mundo das plantas do ponto de vista oculto, devemos necessariamente estudá-las em suas relações com o Macro e o Microcosmo. Cada planeta é como uma estrela terrestre, suas propriedades celestes se acham inscritas nas cores das pétalas e suas propriedades terrestres na forma das folhas; toda a magia nelas esta contida, uma vez que em seu conjunto as plantas representam a potência dos astros; o Reino Vegetal esta sob a influência dos planetas e tem como finalidade alimentar o homem e curar suas doenças. Em seu corpo físico atua a alimentação, em seu corpo eletro-magnético atuam pela cura de suas doenças e em seu corpo astral: sonambulismo ou êxtase.

Em sua obra "TRATADO DAS DOENÇAS INVISÍVEIS", nos diz que se quisermos buscar a Deus, devemos buscá-lo dentro de nós mesmos, pois fora jamais o encontraremos. O Reino de Deus, dizia ele, contém uma relação intima com nossa vida de Fé e de Amor, uma infinidade de mistérios que a alma penetrante vai descobrindo uma por uma.


No glossário de Paracelso vemos que o princípio da sabedoria se chama Adrop e Azane, que corresponde a uma tradução esotérica da pedra filosofal.

Azoth é o princípio criador da Natureza ou a força vital espiritualizada.

Cherio é a quintessência de um corpo, seja ele animal, vegetal ou mineral; é o seu quinto princípio ou potência.

Derses é o sopro oculto da Terra que ativa seu desenvolvimento.

Ilech Primum é a Força Primordial ou Causal.

Magia é a sabedoria, é o emprego consciente das forças espirituais, que visa a obtenção de fenômenos visíveis ou tangíveis, reais ou ilusórios; é o uso benfeitor do poder da vontade, do amor e da imaginação; representa a força mais poderosa do espírito humano empregada em prol do bem. Magia não é bruxaria.

Observamos que Paracelso estabeleceu uma divisão dos elementos a serem estudados nos corpos animais, vegetais ou minerais. Dividiu-os em Fogo, Ar, Água e Terra, conforme tinham procedido também os antigos. Estes elementos se acham presentes em todo corpo, seja ele organizado ou não, e separáveis uns dos outros.

TEORIAS HERMÉTICAS - Na origem primordial das coisas, os filósofos concebiam um caos no qual estavam prefiguradas as formas de todo o Universo; uma matriz ou matéria cósmica e, por outro lado, urçi fogo gerador em que a ação recíproca constituía a mônada, a pedra de vida ou Mercúrio: meio e fim de todas as forças.

Este fogo é ardente, seco, macho, puro, forte; é o espírito de Deus levado sobre as águas, a cabeça do dragão, o Enxofre.

Este Caos é uma água espermática, cálida, fêmea, úmida, lodosa, impura: o Mercúrio dos alquimistas.

A ação destes dois princípios, no Céu, constitui o bom princípio:* luz, o calor, a geração das coisas.

A ação destes dois princípios sobre a Terra constitui o mau princípio: a obscuridade, o frio, putrefação ou a morte.

Sobre a Terra o fogo puro se converte em grande Limbo o yliáster, o misterium magnum de Paracelso; isto é, uma terra vã e confusa, uma lua, com água mercurial, o Tohu v'bohou de Moisés.

Finalmente, a água pura e celeste passa a ser uma matriz, terrestre, fria e seca, passiva: o Sal dos alquimistas.

Desta maneira vemos como na Natureza todas as coisas passam por três idades. Seu começo ou nascimento surge na presença de seus princípios criadores. Este duplo contato produz uma luz, depois vêm as trevas e uma matéria confusa e mista: é a fermentação.

Esta fermentação termina com uma decomposição geral ou putrefação, depois do que as moléculas da matéria em ação começam a coordenar-se, segundo a sutilídade da mesma: é a sublimação, é a vida que se manifesta.


Finalmente, chega o momento em que este último trabalho cessa: é a terceira idade. Então se estabelece a separação entre o sutil e o rude; o primeiro se eleva ao céu; o segundo permanece na terra; o restante permanece nas regiões aéreas. É o último término, a morte.

Conseguimos registrar o transcurso das quatro modalidades da substância universal chamadas Elementos; o fogo, a terra e a água reconhecemo-los facilmente e podemos coordenar todas estas noções, estabelecendo um quadro de analogia que podemos ler mediante o triângulo pitagórico. Este processo é seguido na índia (sistema Sankya) e na Cabala (Tarot e Sefiroth).

Eis aqui os princípios atuantes nos três mundos, segundo a terminologia hermética:

No primeiro mundo, o Espírito de Deus, o Fogo incriado, fecunda a água sutil, caótica, que é a luz criada ou a alma dos corpos.

No segundo mundo, essa água caótica, que é ígnea e contém o enxofre de vida, fecunda a água intermédia, este vapor viscoso, úmido e gorduroso, que é o espírito dos corpos.

No terceiro mundo, esse espírito, que é fogo elemental, fecunda o éter ígneo, que se chama também água espessa, lodo, terra andrógina, primeiro sólido e misto fecundado.

Assim, cada criatura terrestre é formada pela ação de três grandes séries de forças:

- umas provêm do céu empírico;
- outras, chegam do céu zodiacal;e
- as últimas, do planeta ao qual a respectiva criatura pertence.

Do céu empírico vêm a Anima Mundi, o Spiritus Mundi e a Matéria Mundi, vapor viscoso, semente universal e incriada.

Do céu zodiacal vêm o enxofre de vida, o mercúrio intelectual ou éter de vida e o sal de vida ou água-princípio, semente criada e matéria segunda dos corpos.

Do planeta vêm o fogo elemental, o ar elemental (veículo de vida) e a água elemental (receptáculo de sementes e semente inata dos corpos).

3 de outubro de 2010

A ALQUIMIA DE NOSTRADAMUS



Michel de Nostredame ou Miquèl de Nostradama, nascido em em St. Remy, França (14 de dezembro de 1503 - 1566). Seu pai era tabelião e seus dois avôs médicos. Foi seu avô, que também era cabalista, que ficou responsável por sua educação, ensinando-lhe desde cedo astrologia. Diplomou-se em Avignon como mestre em Artes, estudando literatura, história, filosofia, gramática e retórica. Sua família era judia e Nostradamus teve que se converter ao catolicismo para fugir da Inquisição.

Cursou medicina em Montpellier, onde ingressou com dezoito anos, em 1523. Tornou-se amigo de François Rabelais. Recebeu o título de doutor em 1533, e latinizou seu nome para Miguel de Nostradamus.

Apoiado pelo alquimista Julius César Scalinger que o levou a conhecer suas pesquisas alquímicas, Nostradamus iniciou seus estudos ainda jovem, casando-se mais tarde com Marie Auberligne, grande estudiosa dos assuntos ocultos e auxiliar de Scalinger em seus experimentos. Nostradamus utilizava a biblioteca escondida de Scalinger, porque nesse tempo era proibida qualquer prática alquímica.

Escritas em linguagem simbólica, as Profecias de Nostradamus escondem, em diversas quadras, a sabedoria esotérica preservada pelos iniciados na arte da alquimia.

Pouca gente sabe que o médico e astrólogo Michel de Notredame levava particularmente uma vida secreta regrada pela excelsa tradição dos alquimistas. Seguiu à risca todos os seus preceitos, exceto aquele que pede a preservação do anonimato em suas vidas.

Foi um dos principais médicos a se envolver no combate à terrível peste negra que assolava a Europa, mais precisamente o sul da França, na primeira metade do século XVI.

Teve dois filhos e um trágico desfecho, sua mulher e filhos contraíram a peste e faleceram. Nostradamus ficou desolado e recluso na Bretanha, na floresta de Brocelândia, conhecida como a residência do Mago Merlin. Após isso passou um período de intensas viagens.

Em 1546 combateu novamente a peste, desta vez em Provence onde residia o seu irmão que era prefeito da cidade, obtendo ótimos resultados, utilizou técnicas e conhecimentos que anteciparam em 300 anos as descobertas de Pasteur. Associando a transmissão da peste a microrganismos, desinfetou ruas e casas, queimou os mortos e suas roupas, além de desenvolver medicamentos de animais e vegetais.

Casou-se com Anne Posard uma viúva de 27 anos e tiveram seis filhos. Trabalhava durante o dia como médico, e durante as noites escrevia as suas professias. Ensinou sua mulher e cunhada a fazerem perfumes que ficaram famosos.

Publicou a primeira edição das Centurias em 1555 e a previsão que o tornou famoso, o anúncio da morte do rei da França Henrique II em um duelo a cavalo, que se concretizou três anos depois. Conquistou a admiração da rainha Catarina de Médicis esposa de Enrique II, obtendo assim sua proteção, conseguindo escapar da inquisição.

Na IV Centúria, quadras 28, 29, 30, 31 e 33, raro ponto do extenso livro em que as quadras alquímicas se acham assim concentradas, muito próximas. Outras mais se dispersam ao longo de toda a obra.

Na quadra 29, acima citada:

(“O Sol estará eclipsado por Mercúrio,
Não estará posto senão em céu segundo:
De Vulcano Hermes será feito pastor [ou pasto],
Sol será visto puro, rutilante e dourado.”)

Genericamente falando, a simbologia alquímica nos leva à imagem do chumbo, metal denso e pesado, associado aos aspectos mais brutos de nosso psiquismo, sendo transformado em ouro pela ação parcimoniosa do alquimista. Ora et Labora (ou seja, “oração e trabalho”) é uma das principais máximas dos iniciados em seus mistérios. Daí vem o termo laboratório (labor, trabalho; oratório, lugar de orações), a designar para os alquimistas tanto o local de pesquisas e estudo da natureza, como também o sentido de suas buscas.

Nessa temática, o elemento ouro, metal nobre e incorruptível, representa o ideal de perfeição almejado. Puro e reluzente, acha-se simbolicamente ligado a tudo aquilo que brilha dentro de nós. Representaria assim nossos melhores aspectos, ou mesmo a divindade, essencialmente presente em toda e qualquer parte do universo, inclusive em nosso mundo interior, onde se escondem em suas partes mais profundas outros inúmeros aspectos terríveis e grotescos que esperam por sua delapidação, isto é, pela transmutação capaz de lhes (nos) aprimorar o espírito.

Os alquimistas dedicavam-se, exclusivamente, à edificação da Opus Magna, ou “Grande Obra”, na linguagem esotérica. Isso nada mais significa do que a responsabilidade atribuída a cada um de edificar a própria vida, que deveria estar destinada ao aprimoramento pessoal. Daí ser fundamental a procura pela pedra filosofal, espécie de catalisador espiritual de todo o processo alquímico, capaz de acelerar a transmutação do chumbo em ouro.


A imagem da pedra filosofal, na verdade, está associada ao deus grego Hermes (Mercúrio para os romanos), personagem mitológico que se comporta como “mensageiro de Zeus”, a servir de elo entre nós, seres humanos, e a suprema divindade. A pedra viabilizaria, portanto, a descoberta do elemento áureo ou divino que trazemos em nosso âmago, cujo poder é o de nos transformar para algo melhor, sutil e valioso.

Na Biblioteca Nacional de Paris e na Biblioteca Méjanes de Aix-en-Provence estão guardadas 51 cartas, entre enviadas e recebidas, datadas entre 1557 e 1565, nas quais Nostradamus se declara alquimista, ainda que de modo reservado, somente entre seus pares, para não despertar maiores problemas do que os que já tivera com a Santa Inquisição.

29 de setembro de 2010

A ALQUIMIA DE BACON


Francis Bacon (1561-1626) foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator.

Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).

Bacon interessava-se por astrologia e tentou formular uma ciência empírica baseada na co-relação das conjunções astrológicas e os fatos históricos. Se tivesse levado a cabo esse projeto, a ciência hoje seria completamente diferente. Mas, pressões acadêmicas da época forçaram-no a abandonar a empreitada.

A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. De modo geral, pode ser dividida em três partes: jurídica, literária e filosófica.

As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico.


Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo:

1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez;

2) Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés);

3) Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes:

(a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem;

(b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum;

(c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos;

(d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método;

(e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido;

(f) Philosophia secunda, sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa), seria o resultado final, oragnizado em um sistema de axiomas.

Fama Fraternitatis Rosae Crucis (Fama fraternitatis Roseae Crucis oder Die Bruderschaft des Ordens der Rosenkreuzer), ou simplesmente Fama Fraternitatis, é um manifesto rosacruciano publicado em 1614 na cidade alemã de Kassel.

Fama Fraternitatis foi dirigido às autoridades políticas e religiosas, bem como aos cientistas da época. Ao mesmo tempo em que fazia um balanço talvez negativo da situação geral na Europa, revelou a existência da Ordem da Rosa+Cruz através da história alegórica de Christian Rosenkreutz (1378-1484), desde o périplo que o levara pelo mundo inteiro antes de dar vida à Fraternidade Rosacruz, até à descoberta de seu túmulo. Esse Manifesto já fazia apelo a uma Reforma Universal. Continha a história, a constituição e as Leis da Ordem. A confissão da Fraternidade da Rosa-Cruz dava 37 razões para sua existência, definindo seus objetivos e os meios para alcançá-los.

Confessio Fraternitatis (Confessio oder Bekenntnis der Societät und Bruderschaft Rosenkreuz), ou simplesmente Confessio Fraternitatis, é um manifesto rosacruciano publicado em 1615 na cidade alemã de Kassel.

Confessio Fraternitatis completou o primeiro Manifesto, por um lado insistindo na necessidade do ser humano e a sociedade se regenerarem e, por outro lado, indicando que a Fraternidade dos Rosacruzes possuía uma ciência filosófica que permitia realizar essa Regeneração. Nisso ela se dirigia antes de tudo aos buscadores desejosos de participar nos trabalhos da Ordem e promover a felicidade da Humanidade. O aspecto profético desse texto intrigou muito os eruditos da época.

Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz anno 1459), ou simplesmente Núpcias Alquímicas (ou Químicas) de Christian Rozenkreuz, é um manifesto rosacruciano publicado em 1616 na cidade alemã de Estrasburgo (anexada à França em 1681).

O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz, num estilo bastante diferente dos dois primeiros Manifestos, relatou uma viagem iniciática que representava a busca da Iluminação. Essa viagem de sete dias se desenrolava em grande parte num misterioso castelo onde deviam ser celebradas as bodas de um rei e de uma rainha. Em termos simbólicos, o Casamento Alquímico descrevia a jornada espiritual que leva todo Iniciado a realizar a união entre sua alma (a esposa) e Deus (o esposo).

12 de setembro de 2010

A ALQUIMIA DE SENDIVOGIUS


Michael Sendivogius (1566 - 1636) ou Michał Sędziwój, foi um alquimista, filósofo e médico polonês, foi discípulo de Alexander Sethon e um dos poucos alquimistas que supostamente conhecia o segredo da Pedra filosofal. E foi feito prisioneiro diversas vezes por príncipes alemães, que o torturaram a fim de que contasse sobre seus segredos.

Seus trabalhos e livros, sendo o mais famoso deles 'Uma Nova Luz de Alquimia' (original em latim publicado em 1605), foram escritos na linguagem dos alquimistas, na realidade um código secreto que era compreensível apenas por outros alquimistas.

Além de uma exposição relativamente clara da teoria de Sendivogius sobre a existência de um 'alimento da vida' no ar (isto é, do oxigênio), seus livros continham várias teorias científicas, pseudocientíficas e filosóficas e foram repetidamente traduzidas e divulgadas por pessoas ilustres, tais como Isaac Newton no século XVIII.

Sendivogius é citado in Ennoea.Ver Manget, v. 2, p. 463: Novum Lumen Chemicum (doze tratados), Dialogus Mercurii, Alchemistae et Naturae, Tractatus de Sulphuris e Chemia; Musaeum Hermeticum Reformatum: Novum lumen chemicum, Aenigma philosophicum, Dialogus Mercurii et Alchymistae et Naturae e Novi luminis tractatus alter de sulphure.

Sua obra mais famosa foi Novum lumen chymicum (1604); o presente trabalho se baseia na tradução inglesa de 1674, A New light of alchymy. Nos doze tratados que constituem a primeira parte desse livro, Sendivogius discute o que chamaríamos de uma ‘teoria da matéria’. Seu objetivo seria ajudar filósofos ou alquimistas a entender o segredo da pedra filosofal — cuja preparação e virtudes também são explicadas, ainda que obscuramente.

Sendivogius afirmava que todos os corpos proviriam de ‘sementes’. Assim, caso a ‘semente’ contida em um pedaço de ouro pudesse germinar adequadamente, teríamos a multiplicação do ouro. Para ele, “o ouro vulgar é como uma erva sem semente; quando ele amadurece, produz a semente”. Contudo, o ouro normalmente não consegue amadurecer devido à ‘crueza’ do ar, que não tem o ‘calor’ suficiente para levar adiante o processo.

Ele fez uma analogia: existem laranjeiras na Polônia que florescem e dão frutos porque nesse país há calor suficiente; mas se forem plantadas em lugares mais frios nunca darão frutos. Assim, para que o ouro também dê frutos e sementes é preciso que o ‘artífice’ — por meio do fogo — ajude a natureza naquilo que ela não é capaz de fazer sozinha (Sendivogius, 1674, p. 90).

O primeiro passo para permitir o amadurecimento do ouro seria ‘abrir seus poros’, dissolvendo-o com uma ‘água’ muito especial: ‘a água que não molha as mãos’. Dez partes dela deveriam ser misturadas a uma parte de ‘ouro vivo’, e a mistura aquecida até a ‘resolução’ do corpo do ouro, obtendo-se a ‘umidade radical’ dos metais. A este produto se deveria adicionar ‘água de salitre’ e aquecer por um longo período — quando se observariam mudanças de cor. Então — quando a parte líquida da mistura fosse capaz de "tingir" um pedaço de ferro — se deveria adicionar o ‘leite da terra’, um líquido capaz de ‘calcinar ouro’. Sendivogius concluiu: “Até aqui chegou minha experiência; nada mais posso fazer, nada mais encontrei” — estando finalizada a preparação da pedra filosofal.


Outra passagem de Novum lumen chymicum leva a crer que a expressão ‘ouro vivo’ se refere ao ouro antes de ser fundido e trabalhado pelo metalurgista (Sendivo-gius, 1674, p. 10)

O passo seguinte da receita de Sendivogius fala na adição de ‘água de salitre’. - O salitre de Sendivogius corresponde ao que hoje chamamos de oxigênio.

Após um período prolongado de aquecimento nas condições que descrevemos, é possível que o ouro se solubilize, ao menos em parte. É claro que a solução assim obtida seria capaz de ‘tingir’ o ferro e outros metais — pela deposição de ouro metálico em sua superfície. O último passo menciona a adição de uma ‘água’ capaz de ‘calcinar o ouro’ — que poderia ser a ‘água-régia’, cuja preparação,segundo Bugaj, Sendi-vogius também conhecia.

Um ponto fundamental na filosofia de Sendivogius era sua crença numa analogia entre o macrocosmo (o Universo como um todo) e o microcosmo (o ser humano) — um tema então muito comum, cuja origem remonta à Antiguidade, e que foi de extrema importância na obra de Paracelso (Pagel,1982, p. 214-215), um dos autores mais influentes sobre Sendivogius. As partes do Universo seriam interligadas, e as analogias e simetrias poderiam ser observadas em todo lugar. Existiria, por exemplo, uma simetria entre o Sol e o ‘fogo central’ residente no interior da Terra:

“... o Sol é o centro entre as esferas dos planetas, e a partir deste centro dos céus, [o Sol] irradia seu calor para baixo, por meio de seu movimento. Assim também no centro da Terra há o sol da Terra, que devido a seu movimento perpétuo envia seu calor, ou raios, para cima, rumo à superfície da Terra.” (Sendivogius, 1674, p. 33)

Essa simetria seria fundamental para a geração dos seres. O calor e as emanações provenientes de cada um desses sóis, ao se encontrarem, gerariam a vida. Haveria também uma simetria entre o mar ligado ao sol central (isto é, as águas comuns da terra) e o mar ligado ao Sol celestial — que seria a atmosfera:

“Assim como o sol central tem o seu mar, e águas cruas, que são perceptíveis, também o Sol celestial tem o seu mar, e águas sutis, que não são perceptíveis.

Na superfície [da Terra] os raios de um se unem aos raios do outro e produzem flores e todas as outras coisas. Portanto, quando se formam as chuvas, estas recebem do ar aquele po- der da vida e o juntam com o salitre da terra...” (Sendivogius,1674, p. 44)

Sendivogius revela a existência de outra analogia fundamental: entre o ‘poder da vida’ residente no ar e governado pelo Sol celestial e o ‘salitre da terra’. Esse salitre seria capaz de atrair o ‘poder da vida’, assim como o ímã é capaz de atrair o ferro.

26 de agosto de 2010

A ALQUIMIA DE FULCANELLI

Fulcanelli (1839 - fl.1953) é o pseudônimo de Jean-Julien Champagne, alquimista francês contemporâneo e autor de “O Mistério das Catedrais” (1926) e de “As Moradas Filosofais” (1930), duas magníficas obras de alquimia.


Entre os filhos da Ciência Mãe, a Alquimia, quem mais se aproximou do segredo indizível do Grande Arcano foi o Mestre Fulcanelli, porém sem atrever-se a rasgar o véu do Santuário. Esse Artifício que constitue o Secretum Secretorum, o Magnum Misterium requer a ajuda de um Agente oculto, de um fogo secreto o qual Fulcanelli apenas mencionou.

Fulcanelli foi o Mestre de Eugene Canseliet desde 1915. Entre 1922 e 1923, após receber o Dom de Deus, produziu a Pedra Filosofal e operou uma transmutação de 100 gramas de chumbo em ouro no laboratório da fábrica de gás de Sarcelles.

Desapareceu pouco antes da publicação do seu primeiro livro e só voltou a aparecer ao seu discípulo em 1953, na cidade espanhola de Sevilha.

O MISTÉRIO DAS CATEDRAIS: "Apresenta a Catedral fundada na Ciência Alquímica, investigadora das transformações da Substância Original (Energia Sexual) da Matéria Elemental. Pois a Virgem Mãe despojada de seu véu simbólico (o Véu de Isis), não é mais que a personificação da Substância Primitiva que empregou para realizar seus desígnios o Princípio Criador de tudo o que existe. Maria, Virgem e Mãe representa pois a Forma; o Deus Sol Pai é o emblema do espírito Vital. Da união destes dois princípios resulta a matéria viva, submetida às vicissitudes das Leis de Mutação e Continuidade. Surge então Jesus, o Espírito Encarnado, o fogo que toma corpo nas coisas; tal como conhecemos: “E o Verbo se fez Carne e habitou entre nós.” (Mistérios das Catedrais, pág. 85)."

Não há dúvida de que este livro (na edição francesa são dois volumes) é o mais conhecido e o mais apreciado dos estudantes de alquimia de todo o mundo. Contém os segredos da Grande Obra.

Moradas Filosofais: "A Alquimia, remontando-se do concreto ao abstrato, do positivismo material ao espiritualismo puro, amplia o campo dos conhecimentos humanos, das possibilidades de ação e realização da União de Deus e da Natureza, da Criação e do Criador, da Ciência e da Religião. A Ciência Alquímica não se ensina. Cada um deve aprendê-la por si mesmo, não de maneira especulativa, senão com a ajuda de um trabalho perseverante, multiplicando os ensaios e as tentativas, de maneira que se submetam sempre as produções do pensamento ao controle da experiência.”


Este insigne Mestre, em linguagem alegórica, na qual encontramos amplos e profundos conhecimentos da doutrina Gnóstica, mui ocultamente nos entrega o Grande Arcano: “O Alquimista deve unir-se a esta Virgem em corpo e alma, em Matrimônio Perfeito e indissolúvel a fim de recobrar com ela o Andrógino Primordial e o estado de Inocência” (Moradas Filosofais, pág. 22)."

“Na segunda janela, não deixa de suscitar curiosidade uma cabeça rubicunda e lunar, coroada por um falo; descobrimos nela a indicação expressiva dos Dois Princípios cuja conjunção engendra a Matéria Filosofal. Esse Hieroglífico do agente e do paciente, do Enxofre e do Mercúrio, do Sol e da Lua, pais filosóficos da Pedra, é suficientemente eloqüente para ministrarmos a explicação.” (Moradas Filosóficas, pág. 233).

Revela os segredos das Catedrais Góticas, resumindo que toda a Verdade, a Filosofia, a Religião, está baseada na Primeira Pedra, sobre a qual repousa toda a estrutura do Templo e é este mesmo Arcano o que se encontra nas Pirâmides do Egito, Templos da Grécia, Catacumbas Romanas e Basílicas Bizantinas.

“Tudo quanto buscam os sábios está no Mercúrio (Energia Sexual), ou melhor, na Pedra (sexo); a natureza é função desse Vaso (órgãos sexuais), que tanto se comenta sem saber o que é capaz de produzir; sem esse mercúrio tomado de nossa Magnésia, nos assegura Filateo, é inútil ascender a lâmpada ou Forno dos Filósofos (o chacra Mulhadara). Qualquer profano que saiba manter o Fogo executará a Obra tão bem como um alquimista experiente; não requer perícia especial nem habilidade profissional, senão todo o conhecimento de um curioso Artifício que constitui o Secretum Secretorum, que não foi revelado; sem dúvida, os investigadores que com êxito remontaram os primeiros obstáculos e extraíram Água Viva da antiga Fonte, possuem a chave capaz de abrir as portas do laboratório hermético” (Moradas Filosofais, págs. 287, 299, 300, 302)."

18 de agosto de 2010

O LIVRO MUDO DA ALQUIMIA


O Livro Mudo da Alquimia é uma das mais relevantes e belas produções da tradição pictórica do hermetismo medievo. O livro consiste de uma série de figuras que ilustram, do princípio à sua realização, todo o trabalho alquímico.

Mutus Liber, como o nome diz, é um livro mudo, sem palavras, editado originalmente por Eugène Léon Canseliet (1899 - 1982), alquimista francês, autor de diversos livros de alquimia.

O autor permaneceu anônimo, o que ocorria frequentemente, para as pessoas não serem perseguidas por Roma nem verem as suas obras adicionadas ao Índex. Muitas utilizavam homônimos e jogos de palavras para enganar as autoridades.

O "Mutus Liber" é um livro composto por 15 gravuras reportando para o método da Grande Obra alquímica.

Não é verdade que este livro não tenha palavras pois, logo na primeira página aparecem referências codificadas à bíblia e, na folha 14, existe uma expressão latina conhecida dos alquimista: "Ora, lege, lege, lege, relege, labora et invienes" ou seja, "lê, lê, lê, re-lê, trabalha e encontrarás".

O fato por detrás do conceito aceite de que o livro é mudo deve-se, no entanto à total incompreensão dos seus sinais por parte dos leigos em alquimia. Na verdade, apenas os entendidos poderiam descortinar as revelações das gravuras.

Note-se que para além da impressão original datada do século XVII, muito poucas edições mais tardias tem efetivamente valor. Citando um mero exemplo, logo na primeira placa, na edição original, aparece entre roseiras emaranhadas uma paisagem campestre. Porém, em muitas edições posteriores, a paisagem que aparece foi modificada e observam-se agora cascatas.

Este simples pormenor transforma uma cópia de melhor qualidade e, mais agradável visualmente, numa obra totalmente apócrifa, pois, no mundo da alquimia, existem dois caminhos para alcançar o conhecimento.

O primeiro é o caminho seco e, o segundo, é o caminho úmido. Um destes caminhos é mais rápido e perigoso e o outro mais lento, mas mais seguro.

Assim deve ser visto o MUTUS LIBER. Uma complexa composição de imagem relatando por sinais apenas absorvíveis para os iniciados na matéria em que nada está representado por acaso.

3 de agosto de 2010

A ALQUIMIA DE JOHN DEE


John Dee - (1527 - 1608), foi um matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e conselheiro particular da rainha Elizabeth I. Devotou também grande parte de sua vida à alquimia, adivinhação, e à filosofia hermética.

Um inventário das posses de Dee mostra que ele foi um estudante de todas as artes e ciências. Ele tinha as obras completas de Platão e Aristóteles, bem como uma grande coleção de escritos Estóicos, Epicuristas, neo-Platônicos e Renascentistas. Estavam também representados os antigos poetas e dramaturgos, assim como os últimos trabalhos de matemática, engenharia e tecnologia.

Ele coletou um vasto número de manuscritos sobre filosofia e ciência medievais e todo o material que pôde encontrar sobre magia e pensamento Hermético. Embora ele considerasse os teólogos Protestantes dogmáticos e auto-justificadores, ele coletou as obras de Lutero junto com as de Calvinistas e as incluiu entre Agostinho, Lactâncio, Boécio, Ramón Lull, Nicolau de Cusa e Erasmo. Ele possuía manuscritos hebreus sobre a Kabbalah e uma cópia do Corão.

Acreditava que a matemática (que considerava misticamente) era central ao progresso da aprendizagem humana. A centralidade da matemática na visão de Dee tornava-o mais moderno do que Francis Bacon, embora alguns estudiosos acreditem que a matemática foi propositadamente ignorada por Bacon por causa da atmosfera anti-ocultista do reino de James I. No entanto deve-se entender que a compreensão de Dee do papel da matemática é radicalmente diferente de nossa visão contemporânea.

Em 1558 Dee imprimiu o Propaedeumata Aphoristica (Uma Introdução Aforística) e a dedicou a Mercator, com o motto: Qui non intelliget, aut taceat aut discat (Que quem não entende ou se cale ou aprenda).

Convencido de que o cosmos é tanto construído como entendido de acordo com o número, Dee combinou a melhor matemática de sua era com uma revisão crítica da astrologia, em uma tentativa de apresentar a ciência dual da astronomia-astrologia sobre uma nova base. Sugerindo uma conexão íntima entre a ótica (propagação, magnificação e reflexão da luz) e a harmônica (a ciência Pitagórica da proporção), Dee argumentou que influências astrológicas poderiam ser usadas pelo sábio de modo terapêutico.

Embora os planetas irradiassem incessante influência sobre a Terra, o poder e a natureza destas influências dependiam das relações mutáveis entre os planetas e do meio em que caem seus raios. De um ponto de vista prático, isso significava para Dee que o conhecimento preciso das propriedades ocultas das substâncias, das conjunções celestes e do uso de espelhos parabólicos para focalizar e concentrar os raios permitiria aos magos alterar estados físicos e psíquicos nos seres humanos, afetando assim os movimentos da Natureza.

De um ponto de vista teórico, Dee reconhecia que o tamanho, movimento e distância dos planetas eram relevantes para seus efeitos em qualquer tempo dado. Ele mostrou que ao todo são possíveis 25 mil conjunções diferentes, e uma vez que este enorme número impedia uma investigação empírica sobre qualquer possível resultado, ele apontou para um entendimento Pitagórico da geometria e da aritmética como uma chave para a resolução de todas as combinações.

Para Dee, a "astrologia vulgar" era tão moralmente aviltante como falsa. A astrologia é um aspecto da matemática, ela mesma um ramo da filosofia, que é a arte de viver corretamente. Uma vez que o sol é tanto a fonte física de luz e vida como um símbolo da Deidade manifesta, enquanto a Terra era o foco das influências celestes, a teoria heliocêntrica de Copérnico tem grande valor metafísico e o ponto de vista geocêntrico de Ptolomeu é astrologicamente útil. Dee não via conflito entre estas concepções, pois elas se dirigem para fins distintos, e as descobertas de uma poderiam ser aplicadas no aperfeiçoamento da outra.

Dee estudou com muito cuidado a tradução dos Elementos de Euclides feita por Sir Henry Billingsly, corrigindo passagens difíceis e acrescentando anotações e diversas provas novas.

Para a edição de 1570 ele compôs um Prefácio Matemático, que de uma vez declarava sua visão da matemática como uma ciência filosófica, seu motivo para publicar matéria erudita no vernáculo (em vez do latim usual) e suas originais premissas a respeito das ciências matemáticas. A Deidade manifesta e mantém o mundo através do número.

"A numeração, então, para Ele era a criação de tudo. E sua contínua numeração de todas as coisas é a sua conservação na existência... A constante lei dos números... está enraizada nas coisas naturais e sobrenaturais, e está prescrita para todas as criaturas, sendo guardada inviolavelmente".

Para Dee a matemática se divide em aritmética, que trata dos números e suas propriedades, e geometria, a ciência das magnitudes. O termo "geometria", contudo, tem uma excessiva conotação terrestre, e Dee sugeriu em troca "megetologia".


"... não se arrastando no chão e arregalando os olhos com varas, réguas ou linhas, mas elevando o coração acima dos céus por linhas invisíveis e raios imortais, encontrando reflexos da luz incompreensível, e produzindo assim alegria e perfeição inenarráveis".

A matemática é a chave para abrir os mistérios dos três mundos - terrestre, astral e celeste - e a base para a astronomia e a astrologia, para a antropografia (a análise matemática do homem) e estática (a análise do movimento e da inércia), bem como para todas as ciências teóricas, experimentais e aplicadas. A matemática fornece as correlações de todas as forças e formas no homem e na Natureza.

"Podemos nos aproximar do interior, da profundeza e da visão de todas as distintas virtudes, naturezas, propriedades e Formas das criaturas. E também ir mais longe, subir, escalar, ascender e atingir (com as asas da especulação) em espírito, para contemplar o Espelho da Criação, a Forma das Formas, o Número Exemplar de todas as coisas numeráveis, tanto visíveis como invisíveis, mortais e imortais, corpóreas e espirituais".

A Heptarchia Mystica é Magia Planetária independente e moderadamente complexa, similar em estilo porém não em conteúdo a vários Grimorios Solomonicos da época. Os documentos de sua apresentação podem ser encontrados em Misteriorum Libri Quinti de Dee.

Através da matemática Dee esperava prover uma base para unificar todas as ciências em um corpo unificado e coerente de conhecimento, que incluiria a ética, a psicologia e a ciência da espiritualidade. Para Dee a matemática não era simplesmente uma matéria a ser dominada, mas antes um modo de vida a ser consumado na ofuscante luz da Deidade.

Dee pensava que a ciência e a matemática eram dignas de estudo por causa de seu valor intrínseco e prático, mas ele consagrou sua vida a elas porque estava convencido de que um verdadeiro entendimento delas forneceria os subsídios para uma religião global de amor e tolerância, os correlatos sociais do aprendizado e do silêncio. Embora não visse esta sua visão realizada, sua vida é um testemunho de seu poder e a validação de seu potencial.

John Dee: MONAS HIEROGLYPHICA - tenta simbolizar a homogeneidade do Universo e do Criador. O cosmos é representado pelo "Ovo da Águia", que não é exatamente circular quando considerado de um ponto de vista heliocêntrico. Dentro dele se encontram as grandes forças duais representadas pelo sol e pela lua, a primeira sendo criativa e iluminadora, e a segunda material e reflexiva.

Elas se conjugam porque o poder solar não pode criar sem um substrato, e o veículo lunar não pode ser produtivo sem o alimento do sol. Assim, as hierarquias solar e lunar são mutuamente interdependentes, embora o sol seja invariavelmente a força causativa e superior.

O ponto no centro do sol é o ponto de onde derivam todas as linhas e círculos (uma vez que uma linha não pode ser escrita sem pontos), e, portanto é a semente do hieróglifo desdobrado. Esta é a primeira e mais elevada manifestação da atividade divina, e por isso é o Um.

A cruz representa o ternário criativo como duas linhas e sua intersecção. Também representa o quaternário material através de quatro linhas se irradiando de um centro comum e produzindo quatro ângulos retos, que representam os quatro elementos, as quatro direções e os quatro reinos visíveis da Natureza (mineral, vegetal, animal e humano).

Os dois semicírculos abaixo da cruz constituem o signo zodiacal de Áries, o signo do fogo inicial e o começo de tudo que é terrestre. Tomados juntos, estes símbolos fornecem uma imagem da estrutura dinâmica da Natureza nas escalas cósmica e humana, e um meio para a autotransformação que conduz à verdadeira magia, que é a posse da sabedoria como uma arte e uma ciência.

Traçando linhas de conexão e círculos de formas diferentes, a pessoa pode localizar os símbolos dos sete planetas sagrados (Lua, Vênus, Mercúrio, Sol, Marte, Júpiter e Saturno) e com isso a força sétupla da Natureza invisível. Usando estas chaves a pessoa tem como base para meditação os princípios necessários para a transmutação alquímica de sua própria natureza reduzindo-a a matéria-prima ou fluido no ovo, e modelando-o em formas novas.

"Sei perfeitamente bem que tem havido certos homens que, através da arte dos escaravelhos, dissolveram o ovo da águia e sua casca com pura albumina e com isso fizeram uma mistura de tudo... Com isso quero dizer que se completou a grande metamorfose do ovo... Quem se dedica sinceramente a estes mistérios verá com clareza que nada pode existir sem a virtude de nossa Mônada hieroglífica."

De Haptarchia Mystica que, em síntese, é um sistema de ocultismo prático, escrito em colaboração com Edward Kelly. Esse sistema mágico, chamado de "enoquiano", passou a fazer parte, em tempos relativamente recentes, dos ensinamentos de algumas escolas mágicas - por exemplo, a Golden Dawn.

Os documentos de sua apresentação podem ser encontrados no Misteriorum Libri Quinti de Dee.

2 de agosto de 2010

ELEMENTA CHEMICAE


1) O emblema da pedra filosofal (o lápis) sobre a lua crescente.
Há de submeter duas vezes o ouro ordinário (o leão) ao processo de purificação pelo antimônio (o lobo), para livrá-lo de suas impurezas. O dragão é o mercúrio filosofal(Mercúrio).

2) O alquimista procurando pela ajuda divina antes de por mãos à obra.

3) O caos.

4) O escuro do lápis.

5) Os quatro elementos.


6) Os dois círculos representam o pneuma e a alma que se unem no mercúrio filosofal.

7) Os seis planetas encarnam os metais aparentados com Mercúrio, aqui em forma de pássaro. O cofre fechado significa que o caminho ao mercúrio superficial está oculto.

8) O círculos interiores representam os quatro elementos de que compõem a substância básica dos sete metais (as estrelas fixas).

9) O enxofre (sol) e o mercúrio (lua) são os princípios masculino e feminino.

10) O contato da lua e do sol conferem ao Mercúrio a propriedade de fecundar a terra.


11) É necessário que o enxofre e o mercúrio se desprendam da matéria que os contêm mediante a ação do fogo.

12) Purificação do mercúrio filosofal por sublimação.

13) O mercúrio filosofal combinado uma vez mais com o enxofre, para dar lugar a um fluído homogêneo.


14) O ouro (leão) é purificado pela sua incorporação ao antimônio (lobo) O ouro (leão).

15) A transmutação se opera pela dissolução no enxofre filosofal.

16) Forno do atanor.

17) A retorta na qual o enxofre se combina com o mercúrio.

18) O mercúrio filosofal se compõe de elementos voláteis saídos do mercúrio (Azougue) e de elementos sólidos derivados do enxofre (Latão). O pássaro representa o espírito mercurial que alimenta a obra.

19 a 21) A corrupção (putrefactio), estado em que os quatro elementos se dissociam e a alma abandona o corpo. O pássaro voando indica que o resíduo corporal deve ser repetidamente misturado com o produto da destilação.


22-23) O negrume da putrefação (nigredo) se purifica com o azougue, espírito vivo extraído do mercúrio.

24-25) A putrefação (nigredo) abre o caminho para a união (conjunctio) e a fecundação. É a chave da transmutação. A estrela indica que a matéria dobra-se em si mesma, portando em seu seio o germe dos sete metais.


26-27) A matéria negra (sapo) se faz branca quando mistura-se com enxofre (pomba);um forte calor a obriga segregar todos os elementos úmidos.

28-29) Os elementos se reestruturam sob o efeito do calor.

30-33) A extração repetida da essência mercurial mediante a destilação e sua precipitação em forma de orvalho provocam a reestruturação dos elementos no matraz.

34-36) O lápis adquire sua natureza ígnea na sétima destilação. A aparição de Apolo e da Luz anunciam a iminente transmutação da pedra.


38-41) O elemento úmido se eleva, seguindo do dar, na nona destilação do mercúrio filosofal.

42-45) Na décima destilação e sua conseguinte umidificação se produz um desdobramento dos elementos. A natureza ígnea do lápis se deposita no fundo do matraz. Assim a água se evapora, dando lugar a formação de nuvens.


46) A última sublimação do lápis, representando aqui como um pelicano, pássaro que com seu sangue (tintura) devolve a vida de seus filhos mortos (os metais vulgares).

47) A fixação definitiva (fixatio) do lápis, em forma de fênix que renasce das cinzas.

48-49) Os elementos tem sido reunidos e o Opus consumado.


50-53) Quanto mais transparente e sutil é o lápis, quanto maior consistência possui, maior é sua força de penetração e as cores são mais vivas. Para intensificar estas qualidades se produzem outras sublimações:

O lápis será fecundado com o mercúrio filosofal (a serpente) tantas vezes quantas seja necessário, "até que a serpente se devore sua cauda" e se produza a dissolução da pedra.

A dissolução do lápis (54) e as repetidas destilações ou sublimações (55) com as umidificações conseguintes (56) produzem sua solidificação.


Se verte novamente o azougue e se aumenta a temperatura (56-60), pois a alma tem que transpirar até a evaporação (61).

62-65) O lápis necessita uma cocção viva e intensa.


66-69) Se umidifica novamente a massa, já que quanto mais se destile, maior será a força de penetração e tingimento da pedra.


70-74) O suplício do fogo, que dura vários dias, produz a maduração da pedra,que se encaminha até sua perfeição e sua ressurreição.


75-78) "Depois de grande martírio e não menos sofrimentos, eis-me aqui ressuscitado, puro e sem mancha"... "Alma e espírito tem penetrado o corpo de parte a parte, o Padre e o Filho são Unos, a caducidade e a morte já não tem poder."
(Extraído do livro: O Museo Hermético / Alquimia e Misticismo)

1 de agosto de 2010

ROSARIUM PHILOSOPHORUM


Como na oposição Yin-Yang da filosofia oriental, a dualidade, o equilíbrio sexual, são essenciais à erudição alquímica. O rei e a rainha, símbolos humanos do sol e a lua, representam as duas propriedades opostas da Matéria Primordial: o Enxofre e o Mercúrio Filosófico. Durante as operações alquímicas, eles são unidos, destruídos, separados, purificados e reunidos.

Ao final da obra, o Rei e a Rainha se fundem num único e perfeito - o Andrógino - símbolo de equilíbrio harmônico entre os pólos masculino e feminino, o qual surge do dragão da Matéria Primordial. Uma arvore assinala a perfeição, enquanto o pássaro alimentando suas crias, sugere a capacidade de multiplicação do poder.


Sejam estes personagens interpretados como aspectos duais em sua própria personalidade ou como as dinâmicas de seus relacionamentos com outros, você descobrirá que as batalhas, reconciliações e amor apaixonado entre o Rei e a Rainha podem ser modelos úteis para seu crescimento pessoal.

“Tudo quanto buscam os sábios está no Mercúrio (Energia Sexual) ou melhor, na Pedra (sexo); a natureza é função desse Vaso (órgãos sexuais), que tanto se comenta sem saber o que é capaz de produzir; sem esse mercúrio tomado de nossa Magnésia, nos assegura Filateo, é inútil ascender a lâmpada ou Forno dos Filósofos (o chacra Mulhadara).

Qualquer profano que saiba manter o Fogo executará a Obra tão bem como um alquimista experiente; não requer perícia especial nem habilidade profissional, senão todo o conhecimento de um curioso Artifício que constitui o Secretum Secretorum, que não foi revelado; sem dúvida, os investigadores que com êxito remontaram os primeiros obstáculos e extraíram Água Viva da antiga Fonte, possuem a chave capaz de abrir as portas do laboratório hermético” (Moradas Filosofais, págs. 287, 299, 300, 302)."


Na alquimia, a doutrina do amor desempenha um papel essencial. Sendo em extremo perigoso o caminho da ascese solitária, o alquimista praticará mais freqüentemente esse caminho a dois, como o casal alquímico, no sentido humano o termo.

A história de Nicolas Flamel e de Dame Pernelle, sua esposa, ilustra perfeitamente bem esta prática concreta do casamento alquímico; está no mesmo plano da união de Jacques Coeur, outro célebre adepto dos fins da Idade Média, com sua esposa ternamente amada. A menos que queira seguir o caminho da ascese solitária (como foi o caso dos monges alquimistas), o alquimista deverá ter, portanto, uma companheira de caminhada, a qual será uma criatura que lhe será predestinada por Deus (além de ela ter recebido antes uma iniciação especial).

Não devemos deixar de estabelecer a diferença existente entre o caso muito freqüente em que a companheira do alquimista se limita a compreendê-lo e a ajudá-lo em seus trabalhos (ainda que neste casal reine a discórdia, ou um dos dois se comporte como um tirano que quer impor ao outro os seus interesses e paixões que não são as suas) e, por outro lado, o caso, infinitamente raro em que o adepto e seu par formem um casal alquímico predestinado, onde se encontram as duas metades do ser único (o andrógino primordial, dividido por ocasião da queda original que provocou o aparecimento da matéria grosseira que elas formavam.


Nesse nível da formação de um casal perfeito, o que reuniu duas criaturas magicamente predestinadas uma a outra desde toda a eternidade, descobriríamos o completo analogismo da alquimia ocidental com relação à via oriental tântrica chamada de 'esquerda', a que comporta a realização efetiva de um casal mágico.

Raras, muito raras mesmo - infelizmente - são as criaturas, homens ou mulheres, capazes de encontrar assim o verdadeiro duplo mágico, sua perfeita complementaridade, pouco numerosos mesmo são aqueles que, na falta da verdadeira metade (no sentido absoluto do termo) poderão, quando muito, unir-se a um ser magicamente apto e formado para completá-lo. Mas essa tão grande raridade de êxito a dois implicaria, acaso, uma impossibilidade natural?

Precisemos - pois é necessário - que o fato de um casal conseguir realizar a união mágica predestinada operará, simultaneamente, em cada um dos amantes predestinados o bom êxito das núpcias interiores entre as duas polaridades cósmicas que existem em cada homem e em cada mulher: Assim se cria o Egregoro tântrico heptagonal, do qual decorrem a realização interior, a harmonização perfeita e a Unidade total com as sete forças que animam a Felicidade universal'.

Felizmente, acontece que duas criaturas predestinadas podem encontrar-se, mesmo depois de sua primeira juventude, e comumente em condições que parecem bem mais paradoxais, mas que eles precisarão agarrar.
(Extraído do livro: 'A Tradição alquímica')

17 de julho de 2010

A ALQUIMIA


A palavra Alquimia vem do árabe "Al-Khemy" que significa "A Química". A ciência moderna considera a alquimia como a antecessora da ciência e principalmente da química.

O início do desenvolvimento oficial da Alquimia acontece depois do séc. III em Alexandria, por influências pitagóricas, platônico-estóicos, egípcias e orientais.

Os relatos mais antigos de alquimia se encontram na China por volta de 4000 a.C., através de pedaços de pedras com inscrições sobre tigres brancos e transformações da alma; no Egito, com o ocultista Hermes Trismegistus, que foi transformado no Deus Toth e escreveu seus tratados de alquimia, "A Tábua de Esmeralda", um pedaço relativamente pequeno, mas com linguagem muito complexa e altamente simbólica, onde no Hermetismo é a principal corrente ocultista. As leis herméticas ainda hoje podem ser comprovas e podem definir a atual astronomia e física.

Aquilo que a maioria pensa ser a alquimia, a ciência lendária de transformar metais inferiores em ouro, é apenas o papel secundário da alquimia. Os segredos da alquimia vêem de algo mais, digamos, filosófico e "autopsicológicos". A tentativa de descobrir o além da matéria, saber o que é aquela inteligência que penetra, transforma, evolui e interfere no meio da matéria, na natureza, e o que é aquilo que hoje os cientistas modernos entendem por anti-matéria, e a inteligência da natureza que Charles Darwin pregou, e que os bruxos celtas, xamãs, magos e outros já diziam e experimentavam há milhares de anos atrás.

Naalquimia, foram destacados grandes nomes, tais como: Paracelso, Fulcanelli, Saint Germain, além de outros.

A Alquimia tem objetivos bem específicos e três desses são:

1) Curar as enfermidades e rejuvenescer o corpo (Medicina Universal ou Elixir da Longa Vida)

2) Transmutar metais inferiores, como o chumbo e o mercúrio em ouro e prata

3) Transformar o homem decadente em um Deus.

A Alquimia inclui conceitos ocultistas, tântricos, filosóficos, físicos, matemáticos, visa fazer o homem encontrar sua evolução interior, o autoconhecimento e melhor compreensão do mundo que o cerca.

Muitos fatos históricos e descobertas se devem à Alquimia. É comprovado que os alquimistas foram os responsáveis pela descoberta de inúmeras fórmulas químicas, como a dos ácidos, e de evoluções na medicina.

A Alquimia traz a metáfora para prática e usa a prática para criar metáforas. Por exemplo, quando a procura da transformação é física e espiritual, transformar o cobre (a alma do homem decadente) em ouro (corpo solar), através do mercúrio. Até mesmo Jesus praticou Alquimia quando “transformou a água em "vinho".

O odor de enxofre era associado ao demônio na idade média, pelo catolicismo e, uma vez que os alquimistas usavam este elemento químico em seus experimentos, era muito fácil identificá-los e, por isso, eram constantemente humilhados em locais públicos.

Podemos dizer que a Alquimia é uma Arte, pois busca a essência, talvez por isso as referências a ela com o nome de "Ars Symbollica".

Apesar de a alquimia ser uma ciência abrangente, que inclui tanto a parte física como a filosófica e não física, é mais popularmente conhecida na transmutação de elementos.

Abaixo, os símbolos que representam os elementos utilizados pelos alquimistas. Existem variações na simbologia, conforme os segmentos, mas esses são os mais utilizados:


Devido ao efeito da metamorfose, seu símbolo é a Borboleta, mas também aparecem trabalhos de Alquimia com a figura do hermafrodita.

Quando falamos em transmutação, na verdade nos referimos à compreensão do que somos, ao entendimento da natureza, à busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos, do caminho para a metamorfose interior, visando o crescimento individual da alma.

10 de julho de 2010

AS DOZE CHAVES DA ALQUIMIA


CHAVE I
"Que a esposa pudica seja unida a seu esposo. A coroa do rei, feita de um metal flavo. Libra a continuação do rei a fome de um lobo vivaz. Faz isso três vezes e consume ao lobo por um fogo muito violento. O rei sairá com isso puro de mancha e de sua próprio sangue te poderá renovar".


CHAVE II
"Deixada as suas vestiduras, que o Sol com Diana.
Sejam tiradas suas roupas um e o outro, para o himeneo desejado, que dois lutadores se faça o precioso banho da esposa, para que ela lave nele seu corpo em atenção ao esposo os combatentes combaterem, e quando seu ardor marcial tenha cessado, terão um belo troféu de seu luta".


CHAVE III
"Proveniente da rocha, que o dragão gelado seja unido à águia: Um queimará suas penas, o outro fundirá suas neves. Preserva bem teu enxofre com o sal celeste para que o galo devore à raposa maliciosa. O pássaro afogado na onda retomará vida ao fogo, e por sua vez morrerá sob os dentes da raposa".


CHAVE IV
"Toda carne aqui abaixo, provem da terra, em pouco tempo retornará às cinzas; O sal sairá dali, por meio da qual reaparecerá ao dia a carne assim dissolvida, tu que desta maneira queres ver as formas passadas, entrega ao sal ao mesmo tempo o enxofre e o mercúrio".


CHAVE V
"A terra por ela mesma não produz nada, é o espírito quem abastece e sustenta a vida. Toma sua origem dos astros luminosos. Dali todos os metais extraem suas qualidades. A pedra Hercúlea se une com amor ao ferro, Assim, nosso leão ama a nosso mercúrio".


CHAVE VI
"Fêmea e macho unidos fazem germinar a semente. Que então Netuno prepare os banhos requeridos depois de que o macho duplo devore um nevoso cisne com a finalidade de que os dois percam e recobrem sua vida, quatro ventos soprarão e o rei, pelo fogo, se unirá cheio de amor, a sua esposa querida".


CHAVE VII
"Primavera, verão, outono, água, sal dos Sábios. Compõem nosso caos ao esquentar ao sol. Se contudo, dos astros, nÃo tens colocado pesos justos, Nenhuma propícia brisa cumprirá teus desejos. Do firme selo de Hermes, fecha o vidro, por temor a que tua matéria não seja presa do errante vento".


CHAVE VIII
"Para se apodrecer as sementes à terra se confiam. Nossos corpos são colocados no túmulo, mas para sair de novo. Assim, todos os elementos se encontram em cada um, si tu podes, como convéns, de um extrair os outros. É isto o fim da obra, a meta de todos os trabalhos; Se o tens ajustado bem, obterás disso a chave".


CHAVE IX
"Faz que de um triplo coração cresçam três serpentes vivas, Depois tranca-as juntas no recipiente de cristal. Venus faz admirar a graciosa cola do pavão, e alegra teus olhos com um cisne branco como a neve. Favorito de Saturno, um corvo preto seguirá, e depois da asa da águia apresentará suas plumas".


CHAVE X
"A lua ajuda a Hiperião com seus raios. Mercúrio sofre ol dano, e ele perecerá se no lhe dá prontamente seu Jamsuf. Você, que compreende este verso, agradece a Jehovah. De que um tal entendimento seja outorgado aos mortais".


CHAVE XI
"Como Orfeu a Eurídice, o irmão desposará à irmã, e de seus corpos se verterá o sangue. Junta-a ao humor cálido do pai e da mãe, depois fecha com cuidado o globo dos Adeptos. Então o fero leão de prolífico corpo. Contemplará, feliz, sua numerosa prole".


CHAVE XII
"Se o leão generoso devora a serpente. Mercúrio te dará flores a milhares. A pedra sem fermento não pode produzir ouro, mas tingirá muito unida a ele por ingresso. Por ela verás todo o que está oculto, E Deus será propicio para satisfazer teus desejos".