8 de junho de 2012

ÁRVORE DA VIDA - Um Estudo Sobre Magia IV



A Mãe de todas as formas, esta é Binah, a terceira Sephirah. De acordo com o grande qabalista do século XVI, rabi Moisés Cordovero, esse número é a raiz das coisas. Substância-raiz cósmica e energia primordial são as expressões usadas por Blavatsky para designar essa manifestação particular, chamada na Qabalah de Grande Mar. O formato das letras da palavra hebraica para mar é um glifo eloqüentemente indicativo da elevação e expansão das ondas no seio das águas.

Os antigos simbolizaram muito sabiamente com o mar a substância virgem intocada espalhada espaço afora, pois a água é plástica, de forma sempre cambiante, e assume a forma de qualquer recipiente em que é despejada. O mar é um símbolo sumamente adequado dessa substância plástica a partir da qual todas as formas devem ser compostas e representa uma energia ininterrupta, a despeito de ser passiva. Diz-se que a cor de Binah é o preto, visto que o preto absorve todas as outras cores tal como todas as formas materiais após inumeráveis transformações e mutações retornam à substância-raiz e por ela volta a ser absorvidas.

Essas três emanações são únicas de uma maneira especial. A Coroa, com seus dois derivados, o Pai e a Mãe, é concebida como Sephiroth suprema, não tendo relação com as emanações que dela procedem. No diagrama da Árvore da Vida, as supremas são vistas como existindo além do Abismo, aquela grande voragem fixada entre o ideal e o real, separando-as das emanações que são as inferiores, o acima do que está abaixo. Tal como as ondas se alçam e afundam abaixo do nível normal das águas sem produzir qualquer efeito duradouro nas próprias águas, assim é considerada a relação do universo real com as Sephiroth supremas, pois elas repousam num plano completamente afastado de qualquer coisa que possamos compreender intelectualmente. É somente com o aparecimento da quarta emanação que temos algo que é realmente cognoscível pela mente humana.

Por essa razão, há um segundo método de numeração que se soma àquele que já apresentamos. As Sephiroth supremas são consideradas inteiramente independentes das inferiores, e enquanto estas são geradas a partir de sua própria essência divina e no seu interior, o ser das supremas não é de maneira nenhuma afetado. Como a luz brilha na escuridão e ilumina sem sofrer diminuição de sua própria existência, do mesmo modo as obras das supremas transbordam de seu ser central sem com isso diminuir em grau algum a realidade de sua fonte. Conseqüentemente, elas existem sozinhas além do Abismo, embora através do espaço seja difundida sua essência, sua numeração se completando em Três.

Começando com as inferiores abaixo do Abismo, o plano da existência finita condicionada, a numeração começa mais uma vez com o número Um. Assim, cada Sephirah, nesse sentido, possui dois números, indicando um distinto desenvolvimento duplo da corrente de vida. Chesed é tanto o número Quatro quanto o número Um, porquanto é a primeira Sephirah no plano da causalidade abaixo do abismo. Júpiter, como o pai dos deuses, é às vezes atribuído a Kether no alfabeto mágico. Mas também pertence a Chesed de uma outra maneira, visto que Chesed num plano inferior é o reflexo da Coroa.

A numeração direta é conservada para evitar a confusão de duas séries numéricas, continuando de um a dez sem interrupção. É apenas mencionada porque este fato por si só pode explicar os fragmentos isolados do sistema de numeração pitagórico que, quando aplicado à Árvore da Vida sem lembrar-se da dupla numeração, pode levar à imensa confusão.

Da primeira tríade, então, uma segunda tríade de emanações é refletida ou projetada abaixo do Abismo. Estas, do mesmo modo, são compostas de uma potência masculina e feminina com uma terceira Sephirah produzida em reconciliação direta de maneira a harmonizar e equilibrar seus poderes. A quarta é chamada tanto de Chesed, que significa graça, quanto Gedulah, que significa grandeza, tendo os antigos filósofos lhe designado a qualidade astrológica denominada Júpiter. Quatro é um número que significa sistema e ordem, qualidades atribuídas pela tradição astrológica ao planeta Júpiter. Segundo certas autoridades, esse é o primeiro número a mostrar a natureza da solidez, e como vimos acima que Chesed é a primeira Sephirah abaixo do Abismo, e é a primeira das Sephiroth “reais”, essas observações são justificadas. A Sephirah masculina Chesed simboliza as potencialidades da natureza objetivizada, e através da confirmação da atribuição astrológica, incluindo a figura mitológica da divindade tutelar com esse nome, os pitagóricos chamavam o Quatro de “o maior prodígio, um deus segundo uma maneira diferente da tríade”.

A quinta Sephirah é Geburah, poder, e apesar de ser uma emanação de qualidade feminina, sua natureza se afigura sumamente masculina. Alguns antigos afirmavam que o cinco era um símbolo do poder criativo e que nesse conceito de criatividade e poder se achava o caráter de Geburah. É uma força formativa, como o seu nome Poder e a atribuição planetária a Marte sugeririam, pela qual o plano formulado na imaginação cósmica e projetado como uma imagem na substância-raiz abaixo do Abismo em Chesed é impulsionado celeremente à atividade e manifestação. O cinco é composto de três e dois, o primeiro representando a energia passiva da Mãe e o segundo, a sabedoria do Pai. Não expressa tanto um estado de coisas mas um ato, uma passagem ulterior e uma transição da idealidade para a realidade.

Seis é a Sephirah desenvolvida para proporcionar harmonia e equilíbrio às forças anteriores, e seu nome é Tiphareth, uma palavra hebraica que significa beleza e harmonia. O número é um símbolo de tudo que é equilibrado, harmonioso e de boa proporção, e como é o dobro de três, reflete novamente as idéias variadas representadas por esse número. Considerando-se, portanto, que o três representa os reais poderes motivadores da evolução, o Macroprosopus ou o Logos, da mesma maneira em Tiphareth encontramos uma reflexão devida e uniforme num Logos menor, o Microprosopus.

A essa Sephirah os qabalistas atribuíram o sol, o senhor e centro do Sistema Solar. Ao consultar o diagrama da Árvore da Vida, o leitor pode perceber que Tiphareth ocupa uma posição destacada no centro da estrutura da Árvore da Vida como um todo. Os filósofos pitagóricos asseveraram que seis era o símbolo da alma, e mais tarde descobriremos que no ser humano Tiphareth, a harmoniosa emanação do sol é a Sephirah da alma do homem, o centro do sistema microcósmico e a luminosa intermediária entre o Espírito meditativo acima e o corpo com os instintos abaixo. Os doutores do Zohar da divina filosofia atribuíam a terceira letra “V” do nome divino a Tiphareth, e visto que a Tiphareth é o filho do Pai e da Mãe Celestiais, é chamada de Filho. O selo de Salomão, os triângulos entrelaçados, um verdadeiro símbolo de equilíbrio, é o símbolo apropriado.

Os processos de reflexão continuam, e a segunda tríade composta dos números quatro, cinco e seis – embora tenham sido eles mesmos projetados pelas Sephiroth supremas –, por sua vez, gera uma terceira tríade reproduzindo a si mesma num plano ainda mais inferior. A primeira dessas Sephiroth é masculina – Netzach, que significa triunfo ou vitória. Concebe-se que o sete é um número inteiro que representa uma consumação das coisas, a conclusão de um ciclo e seu retorno para si mesmo. Assim, na sétima Sephirah, começando uma nova tríade e concluindo a segunda série de Sephiroth, são resumidas novamente todas as potências anteriores. Sua natureza é a do amor e da força de atração; o poder de coesão no universo, unindo uma coisa à outra e atuando como a inteligência instintiva entre as criaturas vivas. O planeta Vênus, emblema do amor e da emoção, é atribuído pelos filósofos da magia a essa Sephirah; da mesma maneira, a cor verde, tradicionalmente pertencente a Afrodite, como as forças pertencentes a essa Sephirah estão peculiarmente ligadas ao cultivo, à colheita e à agricultura.

Em oposição a Netzach como segunda Sephirah da terceira tríade está Hod, esplendor ou glória, que é uma qualidade feminina repetindo as características de Chocmah num plano menos exaltado e sublime. Representa essencialmente uma qualidade mercurial das coisas – sempre fluindo, em metamorfose constante e fluxo contínuo, tendo sido denominada, acredito, “mudança na estabilidade”. Com ela, detentora de natureza bastante similar, esta a nona Sephirah, Yesod, o fundamento, que é “estabilidade em mudança”. Tal como a tremenda velocidade das partículas eletrônicas assegura a estabilidade do átomo, do mesmo modo as formas fugazes e o movimento de Yesod constituem a permanência e a segurança do mundo físico. É a nona Sephirah e por conseguinte o nono dígito, compreendendo em si todos os números precedentes. Comumente chamada de plano astral ou alma do mundo, Yesod é aquele fundamento de sutil substância eletromagnética no qual todas as forças mais elevadas estão focalizadas, constituindo a base ou o modelo final sobre o qual o mundo físico é construído.

Yesod tem natureza lunar, a lua sendo o luminar atribuído visto haver uma curiosa relação entre o satélite morto da Terra e a luz astral. Yesod completa as três tríades, cujo apêndice é Malkuth, a décima e última Sephirah, que representa em forma concreta, numa completa cristalização visível e tangível aos sentidos, todas as qualidades dos planos precedentes. A própria palavra significa reino, o reino do mundo físico e o cenário das atividades e encarnações das almas exiladas de cima, a morada do Espírito Santo. No Zohar é dada a letra “H” do nome divino a Malkuth, que é chamada de Filha, sendo o reflexo mundano do primeiro “H”, que é a Mãe. Essa décima Sephirah é chamada alhures de Noiva, de Filha e de Virgem do Mundo.

Reconhecidamente, esse esboço acima oferece somente uma vista resumida e geral do sistema numérico de evolução e desenvolvimento cósmico que tanto fez jus ao respeito de Lévi e dele teve uma admiração tão grande e extremada. Nesse esboço elementar será possível perceber claramente que os números se vinculam a processos criativos ou evolutivos, e que fundamentalmente compreendida, a natureza do número é o ritmo. Essa última afirmação é importante, já que proporções e atividades harmoniosas realmente conduzem e marcam as primeiras manifestações da Vida Una nos elementos e substâncias diversas presentes em toda parte.

Essas diferenciações são corretamente simbolizadas pelo número, que se concebe como sendo glifo precisamente dos processos de revelação. Representam o desenvolvimento de um universo tangível explícito a partir de uma essência intangível implícita; de uma concepção ideal à consumação da forma construída na qual o ideal encontra sua morada terrestre. Assim, para o teurgo, os números simbolizam o próprio ritmo do universo, e com seus signos apropriados eles representam poderes e entidades com os quais o teurgo procura comungar.(Continua)
(Israel Regardie)

METATRON



Todos os povos, desde a mais remota Antiguidade, conservaram a realidade do mito como um componente essencial de sua concepção do mundo, de sua Cosmogonia e Teogonia.

Por muito longe que nos remontemos na história das civilizações tradicionais, sempre encontramos nelas uma rica profusão de relatos e lendas relacionados com seres míticos, que servem de comunicação entre a Terra e o Céu, entre o de baixo e o de cima.

A tradição cabalística também conserva um grande número de gestas míticas vinculadas com o descenso à Terra das energias celestes, angélicas ou espirituais. É mencionado em algumas passagens do Talmude. Metatron (do hebraico מטטרון) é um anjo serafim, na tradição judaica e em algumas tradições cristãs, sendo tido como "O Anjo Supremo", Porta-voz Divino, mediador de Deus com a humanidade e o Anjo da Morte. É mencionado em algumas passagens do Talmude, como escrivão Divino, é uma figura importante na mística judaica e muito comum em textos pós-bíblicos e ocultistas, que lhe atribuem a invenção do Tarot[Na gematria, a palavra Metatron é equivalente a El Shaddai (Deus).

Um rabino judeu do século I, Elisha ben Abuyah, como relatado no Talmude, recebeu permissão divina para entrar no paraíso e viu Metatron sentado (uma ação que no céu é permitida apenas ao próprio Deus). Elisha, então, exclamou "Há de fato dois poderes no céu!", julgando que Metatron também era um deus. Diante disso o anjo recebeu humildemente 60 golpes de bastão de fogo, para provar que não era Deus. Outras aparições de Metatron na literatura clássica judaica é no Livro de Enoque onde ele desempenha o papel de "príncipe do mundo", e ganha as características sublimes que geralmente lhe são atribuídas.

"E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou." [Gênesis 5:22-24]. Este pequeno trecho sugere que Deus transformou Enoque em Metatron, já que o Gênesis silencia sobre os motivos que levaram a Deus a tomar Enoque.

Metatron tem 78 nomes hebraicos, todos baseados no nome de Deus (El). Alguns desses nomes são: Tatnadi`el, Apap´el, Zebuli´el, Sopri´el. O nome de Metatron é também chamado o “Príncipe das Milícias Celestes”.

A Cabala considera o Metatron como o princípio ativo e espiritual de Kether, a Unidade, que com as tropas divinas sob seu comando (as sefiroth de construção cósmica) empreendem a luta contra as potências das trevas (que constituem seu próprio reflexo escuro e invertido, as “cascas”, “escórias” ou keliphoth) dissipando a ignorância no coração do homem, fecundando-o, simultaneamente a essa mesma ação, com a influência espiritual que transmitem.

O Zohar cita Metatron como "o jovem" e o identifica como o anjo que guiou o povo de Israel no deserto e o descreve como um sacerdote celestial.

De acordo com o orientalista Johan Eisenmenger, Metatron é o que transmite as ordens de Deus aos anjos Gabriel e Rafael.

Em algumas representações da iconografia cristã e Hermética pode se ver este combate mítico nas figuras do arcanjo Miguel e das hostes angélicas, lutando contra os demônios e Satã, o “príncipe deste mundo”, segundo a conhecida expressão evangélica.

Com o mesmo significado, mas a nível humano, encontramos o cavaleiro com lança combatendo o Dragão terrestre, símbolo das paixões inferiores e do “caos”.

Precisamente, a lança ou espada (símbolos do eixo) atravessando o corpo do monstro, sugere a “penetração” das ideias celestes, verticais e ordenadoras, em dito “caos”. Esta variante do mito é análoga à luta que o homem acomete na busca do Conhecimento, o que lhe dá a possibilidade de viver um processo mítico idêntico ao dessas mesmas energias cósmicas e telúricas, celestes e infernais, em permanente luta e conciliação. Relacionado em certo modo com as origens da Tradição Hermética, e intimamente vinculado com o que vimos dizendo, encontra-se o mito dos “anjos caídos”, que igualmente é relatado no Gênesis bíblico.

Considerado desde o ponto de vista da Ciência esotérica – que tende a resolver os opostos e, portanto, exclui, por insuficientes, o simplesmente moral e sentimental, bem como as leituras literais das coisas, que estão incluídas no ponto de vista religioso e exotérico.

A “queda dos anjos” representa, ante tudo, um símbolo do descenso das influências espirituais no seio da própria vida e da natureza humana. Certos anjos caíram acesos pelo amor que professavam às filhas dos homens às quais, diz-se, “encontraram formosas e belas”. De seu casamento, nasceram seres semidivinos (os antepassados míticos), que revelaram aos homens as ciências e as artes teúrgicas, mágicas e naturais, ou seja, todas aquelas disciplinas que, como já sabemos, integram os textos sagrados dos “Hermética” e do “Corpus Hermeticum”.

O Cubo de Metatron é composto de treze círculos, sendo cada círculo considerado um "nó" e ligado a outro por uma única linha reta, formando um total de 78 linhas.

A primeira escrita cabalística do Cubo de Metatron seria quando Metatron disse ter criado esse cubo de sua alma. Isso também é visto na arte cristã, onde ele aparece na altura física de seu peitoral, seja na frente física ou na traseira física dele.



O Cubo de Metatron é também considerado um glifo sagrado e às vezes é desenhado em torno de um objeto ou pessoa para proteger os poderes de demônios. Essa ideia também aparece na Alquimia, em que o círculo era considerado o círculo da vida, podendo ser usado como um círculo de contenção, um círculo de criação e/ou de transmutação: seria cada círculo desses, um círculo alquímico.

O Cubo de Metatron é formado por figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantêm um valor constante e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as aristas em seu centro e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro. Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro.



Platão concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos. Assim, o cubo corresponde à Terra; o tetraedro, associa-se ao Fogo; o octaedro foi associado ao Ar e o icosaedro à Água. O quinto sólido, o dodecaedro, foi considerado por Platão como o símbolo do Universo, relacionando-se ao chamo Éter (figura acima).

O Cubo de Metatron se constrói tomando como base o chamado “Fruto da Vida”, ou seja: 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas.

Pode-se notar facilmente que a imagem da “Árvore da Vida” da Kabbalah está contida neste conjunto de esferas. Igualmente se vê a “Estrela de David” (as diagonais do hexágono) e a “Estrela de Kepler” (ou “Merkabah”, forma estelar do icosaedro, versão tridimensionalda “Estrela de David”).



A “Flor da Vida” é uma figura geométrica composta de círculos múltiplos espaçados uniformemente, em sobreposição, que estão dispostos de modo que formam uma flor, com um padrão de simetria multiplicada por seis, como um hexágono. Em outras palavras, seis círculos com o mesmo diâmetro se interceptam no centro de cada circulo. O padrão da Flor da Vida é a base do Fruto da Vida e, portanto, do Cubo de Metraton.

Uma simplificação da Flor da Vida é um símbolo muito antigo, encontrado nos Vedas e também na civilização celta. Os celtas o utilizaram muito como elemento decorativo, presente nos frisos e demais obras de arte.

O círculo simboliza o universo imanente. Símbolos como o que se encontra no centro são chamados de “triquetras”, que em Latim quer dizer “3 esquinas”. Alguns se referem a este símbolo como sendo um símbolo de Jesus: o peixe formado por duas linhas curvas também era um símbolo dos cristãos.



A triquetra é formada por 3 destes “peixes”, portanto. Outro aspecto interessante é que a triquetra é um símbolo unicursal ou seja, traçado continuamente, representado assim a eternidade.

Quando o Cristianismo “chegou aos Celtas”, este símbolo foi utilizado para simbolizar a Trindade Cristã: Pai, Filho e Espírito Santo. Os Vedas falavam de três mundos: o mundo material, o espiritual e o átmico. Na principal oração (mantra) das doutrinas védicas são cantados no início do “Gayatri” significando respectivamente os três mundos (Bhur, Bhuvah e Svahah). A Filosofia Celta referenciava três níveis distintos de existência, mas interconectados e interpenetrados: o físico, o mental e o espiritual.

Há uma tradição mística da Kabbalah que retrata o “Merkabah” (ou “Trono de Deus” ou “Carro de Deus”, ou “Carruagem de Fogo”) como um veículo que podia subir ou descer através de diferentes câmaras ou palácios celestiais, conhecidos como “Hekhalot”.



Durante o período do Segundo Templo, a visão de Ezequiel foi interpretada com um voo místico para o céu, e os místicos cabalistas desenvolveram uma técnica para usar o símbolo do Merkabah como ponto focal da meditação.
O místico faria uma viagem interior para os sete palácios e usaria os nomes mágicos secretos para garantir uma passagem segura por cada um deles. Recentemente, esses procedimentos e fórmulas místicas só eram conhecidos pelos estudiosos da Kabbalah.

O Merkabah é então um veículo de luz que transporta o espírito, a mente e o corpo, para acessar e experimentar outros planos, realidades e potenciais de vida mais elevados. Podemos classifica-lo como sendo um veículo interdimensional. Este carro de fogo é também citado na Bíblia quando o profeta Elias foi arrebatado por um destes veículos e levado aos céus para não mais voltar.

De acordo com os versos de Ezequiel, o Merkabah seria uma carruagem composta por quatro anjos. Estes anjos são querubins e são chamados de “Chayot” e são descritos como tendo forma humana, mas com faces diversas: uma de touro, outra de leão, outra ainda de águia e uma última humana propriamente.

Há ainda anjos com forma circular, descritos como “rodas dentro de rodas” e que se chamam “Ophanim”. Estes anjos são responsáveis pelo movimento do carro nas quatro direções. Por fim, descreve-se a participação de serafins que são vistos como clarões de luz que funcionam como fonte de energia. Estes clarões de luz piscam com rapidez e estes serafins controlam todo o conjunto.

Uma descrição bem parecida se encontra na tradição cristã, no Apocalipse de João, quando se descreve o Trono do Cordeiro, cercado pelos mesmos seres alados: touro, leão, águia e homem.

A forma descrita do Merkabah é bastante discutível, mas é comumente aceito que se trate de um duplo tetraedro, um com vértice para cima e outro, para baixo, que giram em sentidos opostos. Este conjunto forma então uma estrela tetraédrica que se inscreve nos vértices de um icosaedro.

De um ponto de vista astrológico, a divisão do zodíaco em doze partes, permite o entendimento do processo da vida organizando-o em 12 signos estelares e 12 casas, localizando neles os 9 astros. Esta divisão pode ser descoberta também no Cubo de Metraton. Aqui então se encontra uma relação simbóloca com as chamadas “Forças Querubínicas” e prática, com as horas do dia. Estas 12 entidades querubínicas derivam das quatro primordiais que são: o Touro alado, o Leão alado, a Águia (Escorpião) e o Homem alado (Aquário).

Leonardo daVinci resumiu todo o simbolismo do Cubo de Metraton em seu famoso desenho “Homem Vitruviano”. Este desenho famoso acompanhava as notas que Leonardo daVinci fez ao redor do ano 1490 num dos seus diários.



Descreve uma figura masculina simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado. O Homem Vitruviano é baseado numa famosa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio (donde o nome “vitruviano”) na sua série de dez livros intitulados de “De Architectura”, onde são descritas as proporções do corpo humano. O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano no século XV por Leonardo e os outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano
Das relações matemáticas encontradas na Proporção Áurea, que também podem ser observadas no mesmo desenho de da Vinci, emerge mais uma vez a Flor da Vida.

No Cubo de Metraton ainda é possível que se veja a projeção bidimensional de um tesseract (ou hipercubo). Um tesseract é uma figura tetradimensional regular composta por 8 cubos montados em 4 dimensões.

Como sabem, círculos nas plantações (ou “crop circles” em inglês-imagem a seguir) são conjuntos de figuras geométricas desenhadas amassando campos de trigo, cevada, centeio, milho ou canola. Estas figuras são melhor observadas de um ponto mais alto, fazendo pouco sentido quando são observadas no nível do chão. A aparência geométrica e influenciada por fractais. A origem destes círculos é desconhecida e controversa. O fenômeno já foi observado em vários países em todo o mundo, começando pela Inglaterra na década de 1970.

Mayan Crop Circle 2012 Woolstone Hill, near Uffington, Oxfordshire, Reported 13th August 2005







No Brasil, tal fenômeno vem acontecendo principalmente no interior dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Foram sugeridas várias explicações que envolvem causas discrepantes como acontecimentos naturais, fraude e visitas de extraterrestres, mas não se chegou a nenhuma conclusão. O fato é que a maioria destes círculos acaba repetindo padrões que nos remetem mais uma vez ao Cubo de Metraton.