1 de agosto de 2010

LILITH, A LUA NEGRA


Como a intenção do Ponte Oculta é apresentar os assuntos ocultos e opiniões de estudiosos, apresento texto de Marcelo Del Debbio, astrólogo, a respeito da Lua Negra, Lilith:

“No mapa astrológico, a Lua Negra, ou Lilith, simboliza um lado secreto e obscuro de nossa personalidade. Identificar e trazer à luz esses aspectos é fundamental para cultivar o autoconhecimento e alcançar a paz de espírito.

A influência da Lua sobre a vida e os traços de caráter é bem conhecida, mas a da Lua Negra, também chamada de Lilith, nem tanto. Na astrologia, da mesma forma que a Lua simboliza o inconsciente e as emoções, Lilith identifica uma porção mais profunda e desconhecida da alma, como um lugar inexplorado na face escura de nosso satélite.”

Em 1898, um astrônomo alemão chamado Georg Waltermath afirmou ter descoberto através de cálculos a existência de uma segunda lua orbitando ao redor da Terra, dentro de um sistema composto de pequenas micro-luas. Em 1918, um astrólogo chamado Walter Gornold (conhecido como Sephariel) publicou um livro onde afirmava que esta “segunda lua” era toda negra, por isso não poderia ser visível da Terra porque ficava contra o fundo escuro das estrelas, mas que ele havia visto esta lua em certas observações contra o sol. Nomeou esta lua de “lilith” e afirmava que, por ela ser totalmente escura, representaria o “lado obscuro” da psique das pessoas, sendo de vital importância que todo mundo comprasse o livro dele para aprender mais sobre este astro que até então “não havia sido detectado”.

Para uma primeira análise minimamente cética, cheira a bullshit. Quer dizer que os sacerdotes, astrólogos, astrônomos, magos, babilônicos, reptilianos, maias, incas, chineses, faraós, alquimistas e toda sorte de ocultistas e cientistas do planeta inteiro haviam observado os céus por mais de 7.000 anos e somente um “astrólogo” (entre aspas) não apenas havia detectado, mas também rapidamente já tinha toda uma explicação publicada a respeito das propriedades astrológicas deste astro?

Não seria minimamente esperado que os chineses, os egípcios, os maias ou os babilônicos tivessem feito pelo menos uma anotação sobre este “tão importante” astro?
As teorias de Gornold foram desprezadas pelos ocultistas sérios. Não há livros da Golden Dawn, Astrum Argentum ou Ordo Templi Orientis que a mencionem. O assunto parecia ter morrido.

Em 1930, o matemático Maurice Rougié introduziu o conceito de “Apocentro” (Ponto de uma órbita mais afastado do centro de atração, como o segundo ponto para se traçar uma elipse) e o calculou para a lua. Por influência de seus colegas astrólogos, acabou nomeando este ponto de “lilith”. Grande erro.


Em 1937, aproveitando a carona, a astróloga Ivy Goldstein-Jacobson publicou um livro chamado “The Dark Moon Lilith in Astrology” onde não apenas falava novamente sobre a tal lua, mas calculava as efemérides para ela, com base nos cálculos matemáticos sobre a lua.

Para complicar, os “astrólogos” franceses disseram que a “Lune noire” deveria ser, na verdade, o apogeu da lua, não o apocentro, já que o outro centro da elipse deveria se chamar “terra negra” e não “lua negra” (o que faz muito sentido). Há uma briga até hoje a respeito do assunto entre os esquisotéricos franceses.

Na década de 70, outros vendedores de livros de “astrologia” resolveram nomear o asteróide 388-Charybdis de “lillith”, criando um terceiro ponto no céu com o mesmo nome. Alguns voltaram a usar o nome Charybdis, outros brigam pelo nome “lilith”. O fato é que todo “desinformado” astrólogo quer “descobrir” alguma coisa e ficar rico e famoso vendendo livro para os que buscam verdades, mas que ainda não as compreendem.

Nenhum astrólogo que seja respeitável usa Lilith em seus mapas. Se você procurar pelos sites e autores sérios (www.alabe.com www.astro.com world of wisdom, Dane Rudhyar, Liz Greene e outros, não vai achar nenhuma leitura para Lilith).
Porque “lilith” é a fêmea sensual, a loba escondida em toda mulher, a dama da noite, a expressão sensual da lua... Ponto final."
(Texto: Marcelo Del Debbio)

ROSARIUM PHILOSOPHORUM


Como na oposição Yin-Yang da filosofia oriental, a dualidade, o equilíbrio sexual, são essenciais à erudição alquímica. O rei e a rainha, símbolos humanos do sol e a lua, representam as duas propriedades opostas da Matéria Primordial: o Enxofre e o Mercúrio Filosófico. Durante as operações alquímicas, eles são unidos, destruídos, separados, purificados e reunidos.

Ao final da obra, o Rei e a Rainha se fundem num único e perfeito - o Andrógino - símbolo de equilíbrio harmônico entre os pólos masculino e feminino, o qual surge do dragão da Matéria Primordial. Uma arvore assinala a perfeição, enquanto o pássaro alimentando suas crias, sugere a capacidade de multiplicação do poder.


Sejam estes personagens interpretados como aspectos duais em sua própria personalidade ou como as dinâmicas de seus relacionamentos com outros, você descobrirá que as batalhas, reconciliações e amor apaixonado entre o Rei e a Rainha podem ser modelos úteis para seu crescimento pessoal.

“Tudo quanto buscam os sábios está no Mercúrio (Energia Sexual) ou melhor, na Pedra (sexo); a natureza é função desse Vaso (órgãos sexuais), que tanto se comenta sem saber o que é capaz de produzir; sem esse mercúrio tomado de nossa Magnésia, nos assegura Filateo, é inútil ascender a lâmpada ou Forno dos Filósofos (o chacra Mulhadara).

Qualquer profano que saiba manter o Fogo executará a Obra tão bem como um alquimista experiente; não requer perícia especial nem habilidade profissional, senão todo o conhecimento de um curioso Artifício que constitui o Secretum Secretorum, que não foi revelado; sem dúvida, os investigadores que com êxito remontaram os primeiros obstáculos e extraíram Água Viva da antiga Fonte, possuem a chave capaz de abrir as portas do laboratório hermético” (Moradas Filosofais, págs. 287, 299, 300, 302)."


Na alquimia, a doutrina do amor desempenha um papel essencial. Sendo em extremo perigoso o caminho da ascese solitária, o alquimista praticará mais freqüentemente esse caminho a dois, como o casal alquímico, no sentido humano o termo.

A história de Nicolas Flamel e de Dame Pernelle, sua esposa, ilustra perfeitamente bem esta prática concreta do casamento alquímico; está no mesmo plano da união de Jacques Coeur, outro célebre adepto dos fins da Idade Média, com sua esposa ternamente amada. A menos que queira seguir o caminho da ascese solitária (como foi o caso dos monges alquimistas), o alquimista deverá ter, portanto, uma companheira de caminhada, a qual será uma criatura que lhe será predestinada por Deus (além de ela ter recebido antes uma iniciação especial).

Não devemos deixar de estabelecer a diferença existente entre o caso muito freqüente em que a companheira do alquimista se limita a compreendê-lo e a ajudá-lo em seus trabalhos (ainda que neste casal reine a discórdia, ou um dos dois se comporte como um tirano que quer impor ao outro os seus interesses e paixões que não são as suas) e, por outro lado, o caso, infinitamente raro em que o adepto e seu par formem um casal alquímico predestinado, onde se encontram as duas metades do ser único (o andrógino primordial, dividido por ocasião da queda original que provocou o aparecimento da matéria grosseira que elas formavam.


Nesse nível da formação de um casal perfeito, o que reuniu duas criaturas magicamente predestinadas uma a outra desde toda a eternidade, descobriríamos o completo analogismo da alquimia ocidental com relação à via oriental tântrica chamada de 'esquerda', a que comporta a realização efetiva de um casal mágico.

Raras, muito raras mesmo - infelizmente - são as criaturas, homens ou mulheres, capazes de encontrar assim o verdadeiro duplo mágico, sua perfeita complementaridade, pouco numerosos mesmo são aqueles que, na falta da verdadeira metade (no sentido absoluto do termo) poderão, quando muito, unir-se a um ser magicamente apto e formado para completá-lo. Mas essa tão grande raridade de êxito a dois implicaria, acaso, uma impossibilidade natural?

Precisemos - pois é necessário - que o fato de um casal conseguir realizar a união mágica predestinada operará, simultaneamente, em cada um dos amantes predestinados o bom êxito das núpcias interiores entre as duas polaridades cósmicas que existem em cada homem e em cada mulher: Assim se cria o Egregoro tântrico heptagonal, do qual decorrem a realização interior, a harmonização perfeita e a Unidade total com as sete forças que animam a Felicidade universal'.

Felizmente, acontece que duas criaturas predestinadas podem encontrar-se, mesmo depois de sua primeira juventude, e comumente em condições que parecem bem mais paradoxais, mas que eles precisarão agarrar.
(Extraído do livro: 'A Tradição alquímica')